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Sintetizador modular actual c/ o som dos clássicos Pub. SOS Jun09 (2009-07-01)

O primeiro verdadeiro sintetizador em hardware da Arturia tem como objectivo deixar que crie convenientemente o seu sistema de síntese modular a partir de componentes (módulos, i.e. modular) de alguns dos mais amados analógicos de todos os tempos. Quão bem é atingido este ambicioso objectivo?

Arturia Origin Desktop
Sintetizador em Workstation

in Sound on Sound Junho 2009... pag.26

Imagine ser capaz de pegar nos módulos de síntese constituintes de sintetizadores como o Minimoog, Arp 2600, CS 80, Jupiter 8, Moog Modular e quebra-los nos seus módulos constituintes, poder depois combinar livremente esses modulos.. Seguidamente, junte um monte de controlos genéricos (knobs, botões etc...) e desenhe uma “caixa” onde estes podem ser inseridos e interligados, e aloje tudo num poderoso processador de sinal com todo o hardware necessário para programar e utilizar a coisa. Voilá, meus amigos - o Origin!

 



Conhecê-lo melhor

O Origin é mais do que simplesmente um sintetizador. Como muitos outros instrumentos modernos providencia um modo “Program” para construção de sons (mono-timbrico), mais um modo “Multi” que permite a sua combinação em splits e camadas (multitímbrico a 4 partes, ou seja 4 programs). Estão disponíveis processadores de efeitos em ambos os modos e, ainda um sequenciador ao estilo analógico e um arpeggiador. Consequentemente, o Origin é melhor descrito como uma workstation ao melhor estilo analógico.

Fisicamente é uma “amontoado” substancial. Com mais de 50 encoders rotativos, 12 dos quais podem ser usados como selectores rotativos e botões de pressão, mais de 80 botões, uma spin wheel (que é também um botão de pressão) e um joystick, precisa de o ser. Para ser justo, o seu tamanho e número de controlos físicos é uma benção, porque reduz a quantidade de menus e submenus que de outro modo seria necessária para criar e manipular sons. Posto isto, o Origin ainda precisa de uma boa quantidade de navegação especialmente para construir e refinar novos sons de sintetizadores a partir do zero. Lembre-se, isto é um sintetizador modular de modo que tem que configurar novos “instrumentos” antes de poder utilizá-los para criar sons (embora exista uma já considerável lista de sons pré-definidos. Como ilustração, vamos construir e programar uma arquitectura de sintetizador simples.

Construindo um sintetizador

O interface do Origin oferece 8 páginas primárias de edição (a maioria das quais tem sub-páginas adicionais), acessíveis pelos 8 botões que estão por baixo do ecrã. Estas são a página Home, seguida pelas páginas Preset, Program, Edit, Multi, Sequencer/Arpeggio, Effects e Live.

 

A página Home permite que navegue, seleccione e pré-visualize os patches. É também o
ponto de partida para a partir do qual - por pressionar o botão System - entra no
extenso sistema de edição do Origin.

 

Para criar um sintetizador a partir do zero, comece por entrar na página Preset e seleccionar a opção Empty Program. Isto leva-nos para o sub-ecrã Edit/Patch ou Edit/Rack, dependendo de qual foi usado mais recentemente. Nós vamos começar com o ecrã Rack, que oferece a representação de um sintetizador modular com 3 linhas de 8 slots, em que apenas duas estão preenchidas: uma com um módulo de controlo do teclado e outra com um módulo de saída.

 

O ecrã Edit/patch permite-lhe inserir e remover módulos, movê-los para configurações/ localizações mais lógicas, e ver o que está ligado a quê. Isto permite-lhe a melhor vista da arquitectura do seu sintetizador modular virtual.



Podemos agora inserir um oscilador pressionando Add, navegando pela lista de osciladores e seleccionando uma de 5 opções: Origin, Arp 2600, Yamaha CS80, Minimoog e Jupiter 8. Há uma sexta opção - um oscilador Wavetable - mas isto, por razões que nos ultrapassam, é apresentado separadamente. Por facilidade de raciocinio, vamos seleccionar um oscilador Jupiter 8. O oscilador irá agora aparecer (com alguma lógica) entre os módulos de teclado e saída, independentemente de onde colocou o cursor na grelha de 8x3.
Se agora carregarmos numa tecla de um qualquer teclado controlador MIDI devidamente ligado ao nosso ORIGIN, não soará qualquer som!! Mas isto faz sentido, como um verdadeiro sintetizador modular, o oscilador está em posição, mas não se encontra ainda ligado a nada, de modo que precisamos de fazer o patch (ligação) do teclado controlador À entrada FM do oscilador FM - Frequency Modulation, e a saída audio do oscilador à entrada do módulo de saída.

Se fosse um verdadeiro sintetizador modular, existiria um drone contínuo, mas não existe. Em vez disso, se tocar o teclado controlados, o som é produzido com um envelope quadrado (o mais típico e ao estilo dos orgãos). Isto significa que existe um amplificador no módulo de saída, controlado, na ausência de um envelope, pelas mensagens Note On e Note Off do teclado.

 



Vamos agora adicionar um segundo oscilador, ligeiramente desafinado do primeiro, repetindo a operação anterior e fazendo as ligações apropriadas. Agora deparamos com um problema, só ouvimos um oscilador pelo que é necessário (com toda a lógica) criar uma pequena mesa de mistura, para poder somar os vários osciladores, e só depois passar a saída desta ao modulo de saída (amp). Isto, mais uma vez, faz perfeito sentido mas estranhamente, a mesa de mistura não fica localizada entre os osciladores e o módulo de saída. Tal situação não constitui qualquer problema ou impedimento à programação, mas é visualmente confuso. Felizmente, podemos obter um arranjo mais agradável “saltando” por cima do ecrã Edit/Patch, que oferece nos oferece uma visão diferente da mesma coisa, ou seja agora vemos a arquitectura do som que estamos a criar como uma matriz de módulos de 6x5, com a vantagem de poder-mos mover os módulos para qualquer posição desejada (que estranho - uma representação permite 24 módulos, a outra permite 30!). Seleccionando a mesa de mistura nesta vista, podemos movê-la e posiciona-la do modo desejado. Neste modo agora o ecrã mostra as interligações, com diferentes linhas coloridas para diferenciação entre os vários tipos de sinal (audio, controlo, etc).
Convenhamos que num Modular analógico também a posição dos módulos é relativamente fixa e não faz ia grande sentido alterar a cada novo som “fabricado”. Não era nada fora do comum perder-mo-nos no labirinto de cabos de uma qualquer som só para tentar perceber o que era o quê, ou o que fazia o quê.

 

O ecrã Edit/Rack não mostra as interligações entre módulos, mas permite-lhe ver o que
está a acontecer no “painel de controlo” virtual do sintetizador, e mover os knobs e
sliders quanto desejar, tal como poderia fazer num sintetizador modular físico.



Podemos agora continuar a adicionar módulos, criando ligações audio complexas e modulação inter-módulos com todo o à vontade. Adicionalmente, ao contrário da maioria dos sintetizadores modulares, os módulos do Origin permitem dirigir CVs e sinais audio singulares para múltiplos destinos (caso contrário teríamos de usar números gigantescos de módulos para sons mais complexos), e as suas entradas podem receber de múltiplas fontes. Isto é equivalente a ter um “múltiplo” em cada saída e uma mesa de mistura em cada entrada, aumentando as capacidades de interligação e modelação de módulos e sinais do Origin.

Evitando a tentação de ceder-mos á loucura de começar a ligar módulos e mais módulos, vamos então completar esta arquitectura simples adicionando o filtro passa-baixos do Jupiter 8, a partir das sonantes opções passa-altos, passa-baixos, passa-bandas e notch filter, juntando um gerador de envelopes e, finalmente, um LFO (oscilador de baixa frequência). Depois retiramos a sensibilidade de pressão que estava configurada por defeito, e criamos um varimento de frequencias com o apropriado e adicionamos uma pequena modulação de pitch. O resultado foi quente e cativante e a muitos níveis não foi diferente de um grande sintetizador analógico. Ficamos impressionados.

Mais do que apenas um sintetizador

Do lado mais à direita do painel, irá encontrar 3 slots de efeitos do Origin. Cada uma aloja os mesmo 5 algoritmos: chorus, delay, reverb, distorção e dual phaser, cada um deles com possibilidade de sincronia via MIDI onde apropriado. As possibilidades de endereçamento de sinal (acessível pela página Program/Mixer são sofisticadas, com opções de em série, paralelo e independente (isto é, por saída) e, com certas excepções, podemos colocar qualquer dos 3 efeitos nas slots que quiser. No entanto, não há nada de muito sofisticado nos efeitos em si. Eles são de recorte estilo stromp-box, por isso, se quiser efeitos exóticos e sedentos de potência, devemos usar as saídas audio independentes disponíveis no Origin, para desta forma dirigir cada som para um processador externo que tenhamos ou queiramos usar.

 

A secção do sequenciador oferece 3 filas de VCs ("voltagem" de controlo) virtuais e
ainda um arpeggiator, cada um deles com um ecrã de edição dedicado. O ecrã de vista
geral permite-lhe ver todas as 3 sequências simultaneamente, ajudando-o a perceber
o modo como estas interagem.



Ao longo de todo o extremo anterior do Origin, encontramos o sequenciador de 16 passos - excepto que não é “apenas e só” isso. Apesar de ter-mos apenas uma fila de 16 knobs e botões, o sequenciador permite três linhas independentes de sequenciação, cada uma com até 32 passos. Há imensas possibilidades em oferta: quantisação, swing, accents e por aí fora - e não estamos limitados a criar apenas sequências de notas. Podemos ter estas mesmas sequências a modelar uma miriade infinita de parâmetros do nosso som. Assim, se quiser-mos podemos dirigir a sequência 1 para as entradas de pitch (para tocar notas) de 2 dos 4 osciladores, bem como a pan e a velocidade do LFO1, ligar a sequência 2 para o FM (Cut Off frequency) do filtro, a velocidade do LFO2 e a rapidez do Ataque do envelope 1, e a sequência 3 para, bem, podem imaginar e deixar a vossa imaginação preencher este espaço.

 



Está também presente um arpeggiador simples que segue o modelo Roland, com modos Cima, Baixo, Cima/Baixo e aleatório ao longo de 1, 2, 3 ou 4 oitavas. Se está à procura de sons celestiais dos sintetizadores de um Jupiter arpeggiado, aqui está a resposta. Em alternativa, podemos adicionar um pouco de distorção num programa de um Minimoog e correr o arpeggiador e o ‘Karn Evil 9’ do ELP e já estaremos bem perto.

Pressionar o botão ‘Prog’ leva-nos a um set de 5 páginas, uma das quais (a da mesa de mistura de efeitos) já mencionada, e as outras 4 dedicadas a funções de modulação avançadas. A primeira destas é um gerador de envelopes a duas dimensões e 5 passos. Originalmente desenvolvido com a base da síntese Vectorial da Sequential Circuits, isto permite um fenomenal controlo, e uma programação cuidada pode originar resultados verdadeiramente marcantes.

 

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A página seguinte tem uma versão do modelador Galaxy da Arturia, testemunhado pela primeira vez na em ulação do Jupiter 8 da Roland comercializada pela Arturia. Na primeira review disto que fiz no Jupiter 8V estava um pouco céptico, mas rapidamente descobri que tinha a capacidade única de gerar modulações cíclicas e/ou descontínuas de todas as maneiras. Inevitavelmente, a majoração de efeitos que obtemos disso são, bem, apenas efeitos, mas com um pouco de planeamento pode também criar alguns sons dignos de nota. Embora muito útil para criação de pads e ambientes constantemente evolutivos e como tal mais orgânicos.

As outras 2 páginas contém LFOs globais. Estes têm as formas de onda standard, mais uns “docinhos”, como waveshaping para as ondas triangulares e quadradas, sincronização, atraso e tempo de fade-in. Há muito controlo sobre os parâmetros e, como sempre, a saída pode ser dirigida para múltiplos destinos. Simples? Sim, mas não limitado.

Antes de avançar, temos de fazer menção especial ao Joystick Mixer. Semelhante, no conceito, ao gerador de envelope 2D (é, mais uma vez, descendência do Prophet VS), que permite o atribuir de até 4 entradas áudio de qualquer lado no sintetizador e 2 fontes de modulação, e depois dirigir a saída para diversos destinos. O controlo do som é então feito usando o joystick, ou por disparo de outro contorno de 2 dimensões. Novamente, as possibilidades de controlo podem ser estonteantes.


Modo Multi

 



Tendo criado a arquitectura e programado alguns sons, o modo Multi permite que tenhamos acesso em simultâneo até 4 deles. Cada programa pode ser atribuído a um canal MIDI, transposto por até +/- 24 semi-tons, e restrita (ou não) a gama de notas a que responde (para divisões de teclado por mais que um som - Keyboard Splits ou Layers), este modo é perfeitamente adequado para trabalhos multi-tímbricos de 4 partes.



Foi durante esta investigação que eu realmente começamos a apreciar o Origin. Primeiro, descobrimos que edições feitas a Programs no modo multi podiam ser gravadas ao ser gravado o Multi em si (isto pode parecer um ponto subtil, mas é um enorme benefício quando comparado com sintetizadores que exigem que edite e grave os programas integrantes independentes do todo composto). Depois, meio por acidente, fizemos o layer de um dos nosso programas do Minimoog com arpeggiador comum dos presets de fábrica, um pad lento chamado Seqpadbell. O Jean Michel Jarre ter-nos-ia vendido a avozinha por esta combinação, e suspeito que, com um pouco de regateio, teria conseguido também a Charlotte Rampling.

Isto deu origem a um sintetizador com oscilador duplo tocado a partir de um pesado varrimento com um phaser. O Origin não vacilou, o arpeggio pouco distorcido continuou pouco distorcido, o som Seqpadbell continuou a ter o seu delay, chorus e reverb e o nosso novo pad de Strings continuou a ser invertido na  fase. Por outras palavras, o modo Multi é genuinamente multi-tímbrico, e os sons de cada uma das suas quatro partes são reproduzidos com todos os seus efeitos intactos. Não é possível expressar o quão feliz isto nos deixa. Muito bem, Arturia! A maioria dos sint.s usa sons altamente embelezados por efeitos, mas depois o seu  modo multi-tímbrico só permite ter um numero reduzido de efeitos e que têm de ser partilhado, como consequência os sons ficam mais pobres que em isolamento.

 

 




Ainda tentando fazer com que o Origin bloqueasse, inserimos uma sequência de bateria analógica na quarta e última slot. Não seja induzido em erro, o Origin não tem quaisquer Kits de bateria além daqueles sons individuais que programar e não tem um sequenciador de bateria. Não obstante, pode fazer-se muito com o sequenciador existente, e capacidade de síntese não faltará seguramente, pelo que tentamos ver se conseguíamos fazer todo o Oxygen (do Jean M. Jarre) em apenas um Multi. Surpreendentemente, conseguimos (ou lá perto), e ainda assim o origin recusou-se a soluçar. A única coisa que notamos foi que tinhamos atingido o limite de CPU da maquina, porque a polifonia, que tem um máximo de 32 notas, caiu para apenas 4. Talvez tivessemos conseguido aliviar a carga do CPU com a substituição dos algo gananciosos módulos do Minimoog e do Jupiter 8 por módulos mais abstémios do Origin, mas não importa - neste ponto, estavamos simplesmente a divertir-nos.

Em uso

A Arturia dá grande relevo aos seus osciladores, clamando que a sua tecnologia TAE “permite a produção de osciladores totalmente sem artefactos alias em todos os contextos.” Para os que não estão familiarizados com o termo, o aliasing é um efeito lateral que ocorre quando aparelhos digitais tentam manipular sinais - entradas do mundo exterior ou gerados internamente - cujas larguras de banda excedem as do sistema. Resulta em quase todos os casos na criação de componentes de frequência extemporânea que não estão relacionados com o audio desejado, e podem resultar em sons desagradáveis e "cacofónicos". As palavras da Arturia são exageradas. mas um aliasing significativo é gerado apenas no oscilador do Origin. dada a pouca carga do CPU deste módulo (ah!, foi aqui onde o “custo” do processador foi poupado) isso não é surpreendente, e é bem aceitável segundo a nossa opinião.

Não obstante, pode desejar este alerta que as possibilidades dos osciladores emulados ficam bem atrás das suas inspirações e não os modelam com precisão. Por exemplo, o oscilador do Minimoog oferece distintivamente possibilidades não-Minimoog, tal como PWM (o que, não sendo um purista, penso que é uma coisa positiva) e a sua onda quadrada tem um ciclo de trabalho de 47 %, que pode emular um Minimoog, mas não é o mesmo que o minimoog típico. Mais anomalias estão presentes em outros módulos, mas quer estas o preocupem ou estimulem, irá ser determinado pela maneira como escolhe fazer a sua  aproximação ao Origin - como um emulador ou como um novo instrumento no seu pleno direito. Nós inclinamos-nos mais para o último!
Partindo dos osciladores analógicos virtuais, queremos enaltecer o oscilador wavetable (tabela de ondas), uma colecção de 96 pequenos recortes em forma de onda modulados na ROM do Prophet VS. Podemos inserir quatro destas num único patch e controlá-las usando a mesa de mistura do joystick e o envelope 2D de um modo muito similar ao original. Gostamos muito dos sons que obtivemos a partir disto e, dado que o VS ainda é um dos nossos sintetizadores favoritos, isto não é um elogio pequeno.

 



Vamos agora falar do módulo Envelope. Descrito pela Arturia como um ADSR, na realidade isto é errado, e o manual e muito pobre na sua descrição. O contorno gerado é, de facto, um envelope H1-A-D1-H2-D-S-R, similar aqueles encontrados em alguns sintetizadores (digitais) da Korg e Yamaha. Em outras palavras, tem uma fase “Hold” antes da entrada do “Attack”, e duas etapas “Decay” com uma duração de pausa configurável entre elas. Adicionalmente, além de ser possível modular os vários tempos A, D e R (Release), pode ajustar-se as suas formas desde o linear até à logarítmica. O que significa que podemos imitar as várias respostas de muitos sintetizadores clássicos,e até aproximar-se dos pouco usuais envelopes da série Yamaha CS. Assim, enquanto apenas um módulo de envelope é fornecido, este consegue emular muitas das subtilezas dos 4 sintetizadores vintage dos quais os osciladores e filtros são baseados. a Arturia devia fazer muito mais no manual e material de marketing do Origin, pois isto é uma muito boa matéria.

Passando à facilidade de uso, o Origin não é dos instrumentos mais fáceis de dominar, mas está muito bem pensado e uma vez que se lhe apanhe o jeito, é sempre a direito. Para uma actuação em palco, a Arturia até incluiu uma página “Live”  que permite fazer o mapeamento dos parâmetros  mais importantes (ou os que pretender-mos controlar ao vivo) para os 8 knobs programáveis colocados nos dois lados do ecrã, bem como para o joystick e os outros knobs do painel de controlo.  Dado o número limitado de knobs utilizáveis nas secções do oscilador, filtro, LFO e envelope, isto não é um luxo, é uma necessidade se quiser fazer o tweak de elementos múltiplos do som à medida que está a tocar.

Mas e o som?
Dado que não consegue criar uma cópia exacta de nenhum dos sintetizadores a partir dos quais o Origin tem a sua inspiração, podem soar como alguns dele, ou os seus sons serem apenas um mistura de timbres analógicos. A resposta é: um pouco dos dois. Podemos forçar o Origin a soar a um minimoog ou um Jupiter 8, mas na realidade com tantas possibilidades em seguro que com brevidade vamos preferir criar sons que não conseguimos obter a partir de nenhum sintetizador existente. Um exemplo? 3 osciladores num arranjo do tipo Memorymoog, mas em vez de escolher-mos um filtro do tipo Moog, colocar um par de filtros 12dB/oct passa baixos e Passa Altos do CS80. O resultado não soou nem como um Moog nem como um CS80. É um novo sintetizador com a sua própria personalidade.

 

O template Minimoog fica no topo de uma configuração que é, em forma e som,
similar ao Minimoog genuíno, e o encoraja a criar ou tocar patches do mesmo
modo que faria no sintetizador original. Funções extra de LFO e modulação estão
“escondidas” nos respectivos botões no topo do ecrã.


Para ser-mos honestos, há muito mais que gostávamos de ver aqui discutido, mas não há espaço para o fazer, caso contrário acabariamos a escrever um anual e não um teste!! Temos de pedir desculpas por passar por cima do Bode Frequency Shifter, as entradas audio que permitem o tratamento do audio externo como se tivesse sido gerado por um oscilador dentro do Origin, os templates Stereo filter e Crazy FX, que tiram vantagem destas entradas, as páginas MIDI e System, as funções de pesquisa de sons, os sons de fábrica, e muito mais. Também poderiamos dar uma achega sobre a colocação dos controlos de brilho e de contraste, que estão cobertos (!) pelas laterais de madeira. No entanto, há espaço suficiente para reportar que, no fim, conseguimos causar um problema (ainda que não um crash). Estávamos a retirar módulos da página Edit/Patch enquanto tocávamos, criando alguns estalidos bastante maus e imperceptíveis ao fazê-lo, e de repente o Origin ficou silencioso. Podia ainda navegar nas páginas e editar, mas não importava o que fizesse, não saía qualquer som, e tive de o desligar e o voltar a ligar para restaurar a normalidade. Se esta é a única maneira de lhe causar uns soluços, o Origin é uma peça de estabilidade digna de nota.

 

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Fisicamente falando:
Pesando 8 kg, o Origin é um caso robusto de 6U desenhado para uso tabletop, mas também pode retirar o lábio frontal e as abas de madeira para montagem em rack se assim preferir. O hardware é sólido, e o LCD a cores de alta resolução tem uma boa leitura de diferentes ângulos de visão. (Não seria fantástico se o écran fosse também sensível ao toque?). A única coisa pode ser questionável acerca do design é a escolha de uma fonte de alimentação externa. Com indicação de 6,5V e emitindo uma corrente massiva de 3.85A, nunca vimos nada parecido. O que significa que devemos ter muito cuidado para não trocar inadvertidamente o mesmo. 
Se deixar de funcionar, é extremamente improvável que consiga encontrar uma substituta na loja de material eléctrico do bairro, pese embora o distribuidor nacional garantir total rapidez na sua substituição).
As ligações do Harware do Origin são as seguinte:
Saídas
2 saídas 1/4’’ audio principal
8 saídas 1/4’’ auxiliares
1 saída digital S/PDIF
1 saída estéreo de auscultador
Entradas:
2 entradas audio 1/4’’
1 Pedal Sustain
1 footswtich
MIDI
MIDI In, Out e Thru
USB 2

 

Módulos e sons de fábrica
Há actualmente 20 tipos de módulos a partir dos quais podemos construir sintetizadores no Origin. Sem sobrecarregar o limite do processador, o que pode ocorrer mais rapidamente usando mais de uns módulos que outros, parece existir um limite máximo de 20 módulos que podemos inserir num dado momento. Também há sub-limites, como nove osciladores, quatro filtros e quatro mesas de mistura num qualquer  programa. As 3 slots de efeitos, mesa de mistura de efeitos, envelope 2D, módulo Galaxy e LFOs globais estão sempre disponíveis e não entra para a contagem do limite de módulos.
Aqui fica uma lista dos módulos do Origin:
Osciladores: Origin, ARP2600, CS80, Minimoog, Jupiter 8, Wavetable
Filtros: Origin, ARP2600, CS80, Minimoog, Jupiter 8
Outros: Keyboard Follower, Envelope, Modulador de CV, LFO, MiniMixer, Ring Modulator, Bode Frequency Shifter, Joystick Mixer, Output
O Origin tem espaço para 1000 programas, 400 dos quais são predefinidos de fábrica, e 256 Multis, sendo que 100 destes são predefinidos. Este âmbito, desde emulações relativamente simples e muito utilizáveis de sintetizadores analógicos vintage até composições complexas compostas de múltiplas camadas de patches “analógicos virtuais” sequenciados/ arpeggiados, Eu não era um grande fã das programações de fábrica mais complexas e preferi criar as minhas (mais simples) durante o decorrer da review. De qualquer das maneiras, não tenho dúvida que outros vão ficar felizes de usar muitos dos sons em oferta.

 

O software Connection

O software Connection do Origin corre em Mac OS X e windows (XP e Vista) e tem essencialmente dois tipos de funções: armazenamento de som/sequências e upgrade do firmware.
Ao ligar o Origin ao computador via ligação USB 2, esperava-se que o software e o sintetizador se sincronizassem quase imediatamente, mas a demora foi bem mais longa do que o previsto. No entanto, uma vez ligado e a correr, as funções de backup / biblioteca pareceram trabalhar correctamente, apesar de se ter encontrado alguns detalhes do interface do utilizador algo inconsistentes, apesar de tudo isto não afecta os sons, mas possivelmente poder-se-ia ter “arrumado um pouco melhor a coisa”.
Também pode usar-se este software para interligar dois Origin, e trocar sons entre eles.

 

Templates Vintage
Se quer criar sons em algo que se assemelhe a um sintetizador clássico, o Origin tem um template de Minimoog que oferece os módulos apropriados e correctamente configurados para permitir que faça a programação e toque como no original.
Como poderia esperar, inclui 3 osciladores Minimoog, e os controlos aparentam emular os do sintetizador real. No entanto, o todo não é o que parece. Por exemplo, há sincronia de osciladores e, enquanto os envelopes parecem gerar os contornos do ADSD do Minimoog, o knob Release no painel de controlo físico também controla a libertação do som (o que, obviamente, não corresponde ao minimoog original). Além do mais, há um LFO dedicado, uma matriz de modulação e polifonia.
Estranhamente, dada a qualidade de muito do software do Origin, há dois óbvios bugs no template. O manual descreve a matriz de modulação como tendo oito slots (quando tem apenas seis) e o modo Uníssono descrito não está presente.
Não valorizando demais estes erros (até porque o domínio do software pode facilmente corrigir os mesmos com um simples update), estamos bem contentes com o que foi adicionado ao template, porque responde à inevitável pergunta: “ah, mas o som é idêntico ao do Minimoog real?” Eu prefiro ver o template como uma ajuda à programação visual que permite recrear muitos dos sons Minimoog-escos (o que, respondendo à questão, faz bem) e para programar sons avançados que usam a arquitectura Minimoog meramente como um ponto de partida.
Não há de momento templates de fábrica para o CS80, Jupiter 8, ARP 2600 ou Prophet V. O manual promete-os para o futuro, mas pensamos que poderia tentar construir um CS80 por nós mesmo. Primeiro, tudo correu bem quando criei dois circuitos audio necessários separadamente, cada um com filtros pass altos e passa baixos independentes, envelopes e LFOs duplos, e modulação ring global. Mas quanto terminei de inserir todos os módulos, o visor do CPU estava com leituras acima dos 100 por cento e o Origin calou-se. Não pela primeira vez (nem pela última) tomei noção que o Origin não é apenas um V Collection da Arturia mas na forma de hardware.

 



Conclusões

O Origin não é a implementação exacta em hardware dos softwares de síntese existentes da marca, e não deve ser abordado como tal. Sim, assenta em aspectos dos sintetizadores vintage, mas o número e âmbito dos módulos presentes é muito menos que uma completo retalhar em módulos os instrumentos originais, e não emula de absoluto nenhum deles, permitindo-lhe, em vez disso, criar novas arquitecturas de síntese e sons, usando os módulos como blocos de construção. Este sintetizador pode criar sons fabuloso que são reminescentes de um Minimoog, ARP2600, Jupiter8V, CS80 ou um Prophet VS, mas ficamos mais impressionado pela sua capacidade de fchegar muito além destes.

Inevitavelmente o Origin é demasiado caro para ser apelativo para toda a gente, mas o tempo de desenvolvimento e o esforço que foi despendido nelo foi enorme, e isto é reflectido no seu custo. Pessoalmente, estamos ansiosamente à espera de uma série de prometidos melhoramentos (como readouts numéricas e melhores capacidades de controlo MIDI), como a versão com teclado. Esta, em complemento a um teclado de 61 notas sensível à velocidade e pressão, vai adicionar uma roda de pitch-bend, uma mod wheel e um controlador de fita ao Origin existente, e podia bem ser o sintetizador analógico de sonho de um live performer, dispensando a necessidade de carregar um monte de material vintage velho, pesado, delicado e valioso. Hmm, ora aí está uma ideia...

Edição : Alguns destes melhoramentos já foram adicionados e muitos estão a caminho com um forte compromisso da marca em assinar o seu aniversário com novas características bombásticas, e tudo sempre grátis!

 

 

 

 

Pros
  • Detentor de um som rico e envolvente
  • Oferece fabulosas e extensas capacidades de modulação
  • Os efeitos são verdadeiramente multi-tímbricos. Hurray!
Contras   
  • A fonte de alimentação externa pode ser difícil de substituir (MK2 garante rapidez)
  • O manual é incompleto em certos locais
  • Não é barato (mas o bom nunca é :(   )
Em suma:
O Origin é um instrumento único, combinando síntese modular analógica virtual derivada do excelente  software de emulação de sintetizadores clássicos vintage, mas com funções modernas como splits, camadas e efeitos verdadeiramente multi-tímbricos. Tem um corpo e som excelente e, se puder compra-lo, deve analisá-lo com toda a atenção, pois não há qualquer outra coisa capaz de fazer precisamente as mesmas funções.

 


Alternativas

Se gosta da ideia de síntese modular mas num ambiente digital, há muito Nord Modular e Micro-Modular descontinuados que permitem construir sintetizadores de grande complexidade usando uma maior gama de módulos que o disponível no Origin. Esta opção está disponível por preços muito razoáveis, e apesar de não terem qualquer pretensão na emulação analógica, continuam a ser ferramentas soberbas de design sonoro. Uma vez configurado e editado, podem ser tocados como instrumentos independentes, apesar de a edição estar alojada num computador servidor, por isso não são autónomos da forma que é o Origin.
Na outra ponta do espectro, talvez possa gostar de considerar o algo estilo Audio Pluggiator. Mas o mesmo  também utiliza um computador como editor anfitrião, logo também é autónomo uma vez carregado com os sons que quiser tocar. No entanto, ao contrário dos Nords, suporta uma boa quantidade de “plug-ins” de emuladores de sintetizadores vintage,, apesar de não oferecer a abordagem modular quer dos Nords quer do Origin.
O Origin é então único? Suspeito que sim. Outros produtos ultrapassam aspectos da sua operacionalidade (podia até considerar PCs numa caixa, como o Neko64 e o Oasys Korg) mas se quer fazer exactamente o que ele faz, o Origin DOMINA.

 

Link para o Produto da Review: Arturia Origin Desktop

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